terça-feira, 26 de novembro de 2013

A oração é o amor de Deus em a atividade

O amor

DE: SANTA TEREZA DE JESUS

A oração é o amor de Deus em a actividade, é o amor de Deus praticado: «Em primeiro lugar quero tratar, segundo o meu pobre entendimento, em que consiste a substância da oração perfeita. Tenho encontrado algumas pessoas que supõem estar tudo no pensamento. Se o podem ter muito em Deus, ainda que com muito esforço, logo cuidam que são espirituais. Mas se, mau grado seu, se distraem, mesmo por motivos bons, logo lhes vem grande desconsolo, parecendo-lhes que estão perdidas. Estes erros e ignorâncias não os terão os letrados, conquanto já eu os tenha encontrado numa ou noutra destas coisas. Mas nós, mulheres, precisamos de ser avisadas acerca disto. Não digo que não seja graça especial do Senhor poder-se meditar continuamente em Suas obras, e é bem que se procure chegar aí, mas deve entender-se que nem todas as imaginações são capazes, de seu natural, de se aplicar a isso. Porém, todas as almas o são para amar. Já de outra vez escrevi as causas, nem todas, o que era impossível, mas algumas deste desvario da nossa imaginação, e assim não trato agora disto. Queria, todavia, dar a entender que a alma não é o pensamento, nem a vontade é governada por ele, o que seria má sina. Donde se conclui que o aproveitamento da alma não está em pensar muito, mas em amar muito.» (F 5, 2) 

A verdadeira oração leva consigo amor a Deus e ao próximo, porque o amor é sempre unitivo, e cada um desses dois amores tem a sua função: o amor ao próximo faz de parâmetro: «O sinal mais certo que há para ver se guardamos estas duas coisas é guardar bem a do amor ao próximo, porque, embora tenhamos grandes indícios para entender que amamos a Deus, contudo não o sabemos, enquanto ao próximo sim» (5M 4, 8). E destas amizades quereria eu muitas onde há grandes conventos, que, nesta casa, onde não são mais de treze, nem o hão-de ser, todas têm de ser amigas, todas se hão-de amar. Guardem-se destas particularidades, por amor do Senhor, por santas que sejam, que até entre irmãos costuma ser peçonha e nenhum proveito vejo nisso; e se são parentes, muito pior; é pestilência! E creiam-me, irmãs, que, embora isto vos pareça um extre¬mo, nisso há grande perfeição e grande paz, e evitam-se muitas ocasiões às que não estão muito fortes. Se, porém, a nossa vontade se inclinar mais para uma que para outra (o que não poderá deixar de ser, pois é natural, e muitas vezes somos assim levadas a amar o mais ruim, se tem mais graças naturais), tenhamos muita mão em não nos deixarmos assenhorear por aquela afeição. Amemos as virtudes e o bom interiormente falando, e tenhamos sempre um cuidadoso empenho em não fazer caso de tudo quanto é exterior. (Sta. Teresa C 4,7)


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